A palavra que define a boa gestão de uma empresa aérea nos tempos atuais é a flexibilidade, onde diante de um cenário desafiador e em constante mudança, estar pronto para se adaptar a uma nova realidade é uma questão de sobrevivência.


Uma operação enxuta, dinâmica e bem otimizada é o objetivo de qualquer gestor da indústria aeronáutica, especialmente do setor de linha aérea, cuja rentabilidade é considerada baixa dentre os diversos setores da economia, apresentando em média para o ano de 2016 uma rentabilidade de 5,1%, contra uma média mundial de 7,3% para as demais industrias, chegando a valores entre 11,7% e 19,8% para as onze industrias mais rentáveis no mundo.

O processo de seleção de aeronaves, composição de frota e utilização das mesmas pode ser complexo, porém é de suma importância para o sucesso de uma empresa. Por ter uma característica de estar sempre em “movimento”, com novas variáveis sendo adicionadas diariamente, e uma complexidade enorme de variáveis já existentes, não existe um formula correta que descreva esse processo, mas sim um conceito geral por trás dele, sendo este o fato de que, a frota representa a essência de uma empresa aérea, e é através dela que é oferecido o produto principal do setor.

Historicamente falando, no inicio das atividades do setor, o processo de escolha de uma aeronave era feito pelos pilotos, da mesma forma com a qual escolhemos por exemplo o nosso carro novo atualmente, passados os anos e um processo mais técnico foi desenvolvido, deixando a cargo de engenheiros e seus complexos cálculos a determinação da frota, o que se demonstrou ainda não ser suficiente para indústria, transferindo então essa responsabilidade para o setor de marketing e vendas, o qual buscava casar o planejamento de rotas com a qualidade dos serviços oferecidos aos clientes e a aquisição de aeronaves, passando finalmente para o departamento financeiro essa escolha para ser feita baseada na capacidade financeira da companhia.

Atualmente com uma visão mais comercial do que técnica, o planejamento de frota deixou de ser exclusividade de um único setor, e passou a ser feito em conjunto entre um time comercial, o qual provê informações como estrutura de rotas, política de tarifas, tipos de produtos que serão ofertados entre outros, um time financeiro, o qual determina os níveis de investimentos, fontes de fundos, quantias a serem gastas e algumas outras decisões de cunho financeiro. Esses dois times são supridos com informações, vindas do setor de engenharia de operações, e se reportam geralmente ao CEO da empresa, pessoa a qual é incumbida de extrair de todos os setores pertinentes, as informações adequadas para a tomada de decisão. Além dos departamentos mencionados o departamento de operações, por meio de seu COO (Chief Operating Officer) também contribui com dados e requerimentos operacionais,

Um bom processo começa com a definição dos planos de longo prazo da empresa, o que pode ser difícil e variar de setor para setor, uma vez ser complicado por exemplo prever novas rotas ou novas frequências num prazo maior que 18 meses, por outro lado, previsões de demanda podem ser feitas com um prazo mínimo de 3 a 5 anos. Entretanto, os seguintes aspectos devem ser observados:

Outras inúmeras variáveis devem ser consideradas de acordo com o planejamento de cada empresa, algumas delas são, o sistema de “Scheduling”, seja ele Hub-and-Spoke ou Point-to-Point, futuros planos de integração da empresa junto a alguma aliança ou vir a concretizar acordos de codeshare, futuros gargalos em termos de infraestrutura aeroportuária, enfim, qualquer fator que afete a oferta de assentos ou a demanda por eles merecem a atenção dos planejadores. Aspectos técnicos também fazem parte de um bom planejamento, comunalidade de frota, principalmente em termos de tripulação e manutenção, quanto maior a empresa e maior a malha, mais diversificada a frota pode ser, uma possível escassez de um determinado modelo de aeronave no mercado, pode também afetar os planos de crescimento e renovação de frota.

Em termos métricos, softwares fazem as análises levando em consideração as rotas voadas atualmente e as rotas pretendidas, analisando entre outros, a estrutura total de custos, a rentabilidade esperada, a receita por passageiro e então uma projeção dos lucros, tudo isso baseado em dados de payload, peso máximo de decolagem, capacidade de assentos/configurações de cabine e autonomia aproximada, buscando sempre uma alta utilização da aeronave, load factors otimizados para cada rota, o maior numero de frequências maximizando o numero de conexões, refletindo desta forma uma maior satisfação do cliente bem como uma saúde financeira mais sólida para a empresa.

Planejamento e aquisição de frota está longe de ser uma ciência exata, porém como em toda empresa, com um bom trabalho de equipe, pode ser uma pratica que garanta êxito na atividade de uma empresa aérea, principalmente num ambiente competitivo como o setor aéreo.

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